O IMPÉRIO DAS IMAGENS

ENAPOL face 3

Andrea Vilanova e Claudia de Paula

A IV Preparatória na Seção Rio para o VII ENAPOL foi organizada pela diretoria do ICP-RJ e pela comissão de divulgação do ENAPOL, representada por Mariana Mollica. A coordenação da atividade esteve a cargo de Maria do Rosário Collier do Rêgo Barros (diretora geral do ICP-Rio) e de Maria Inês Lamy (coordenadora da comissão de núcleos de pesquisa do ICP-Rio) .

Estiveram presentes com seus textos representantes dos seguintes núcleos de investigação: Toxicomania e alcoolismo, Psicose e saúde mental, Psicanálise com crianças – Curumim, Psicanálise e medicina, Topologia, Psicanálise e direito e da unidade de pesquisa Clínica e política do ato.

A conversação dos Núcleos de Pesquisa do ICP RJ, de 14 de julho estabeleceu-se a partir de duas indagações centrais que dialogam entre si: Por um lado, como situar o novo estatuto do imaginário no contemporâneo? Por outro, estaríamos às voltas com o império ou o imperativo da imagem?

A conversação se iniciou sobre as bases de uma desnaturalização da ideia de que o real estaria aí, à mostra. Interrogou-se como o excesso de imagens estaria vinculado a efeitos de mal estar e de imaginarização da palavra, ao mesmo tempo em que este imperativo da imagem nos daria notícias de um efeito colateral da incidência da tecnologia médica sobre o corpo, com seu esquartejamento em imagens fragmentadas.

Destacamos três pontos das abordagens propostas pelos núcleos do ICP RJ. Sublinhamos o que nos parece costurar-se em um substrato de linhas, compondo um tecido rico em texturas e cores, uma imagem que, esperamos, possa dar a ideia do belo e instigante trabalho realizado na conversação.

Ponto 1:

O retorno ao estádio do espelho lacaniano é retomado pela perspectiva da assunção jubilatória da criança ao compor a visão de um corpo unívoco, dando contornos de unidade ao infans em sua imaturidade, posteriormente apontada por Lacan como experiência do corpo despedaçado. É no um a um dessa invenção imagética que se forja, não sem uma certa estranheza, a teia da fantasia na qual o sujeito se constitui.

A conversação nos conduz a uma interrogação acerca da função desse véu na vida contemporânea. Coloca-se uma questão acerca de uma suposta insuficiência do véu em sua função de cintar o despedaçamento do corpo nos tempos de hoje e daí a insistência ao recurso irrefreável à imagem. Apresenta-se uma questão crucial: neste esgotamento da imagem em uma série infinita, que lugar para o olhar, incluindo aí o ponto de opacidade intrínseco à própria imagem para que ganhe consistência? Temos efeitos diversos no dia-a-dia da clínica que nos apresentam soluções singulares do enlaçamento que cada sujeito pode estabelecer entre R-S-I.

Ponto 2:

Abordou-se o imperativo do gozo sem limites, com uma fórmula condensada por Ansermet em um “tudo, imediatamente”, a partir de seus efeitos falaciosos em torno de um suposto desvelamento do real. A conversação dos núcleos nos apresentou a tensão entre mostração e visibilidade irrefreada; e o que ainda assim não cabe na dimensão especular. Trata-se de tomar aquilo que no império/imperativo das imagens não cede ao visível, mantendo-se como impossível de ver. A fábula contemporânea de que teríamos acesso ao real, sem mediações, sem interdições, sem os efeitos da lei simbólica, foi assinalada como efeito do imaginário superdilatado, deste imaginário marcado pela pulverização das identificações e pela velocidade insustentável de imagens cada vez mais etéreas, cujo ponto cego desvanece rápido demais.

Ponto 3

Outro aspecto da discussão foi a imaginarização da palavra que tem sua potência separadora desativada na perspectiva de uma fala que não traumatize o sujeito. As classificações, com seu valor imaginário, referem-se a uma outra dimensão de escrita, na perspectiva do número, da cifra contábil, uma escrita classificatória, como afirma Miller em A era do homem sem qualidades. O destaque dado à escrita das cifras e às técnicas articuladas em torno das evidências, tais como o depoimento sem dano, resultam em figurações da decadência dos significantes mestres e seu poder de representatividade e convocação da verdade como índice do próprio sujeito. A palavra esvaziada de sua competência desvanece nesse oceano figurativo que pretende impor uma ausência de furo. No entanto, o real insiste e com ele a possibilidade da operação analítica.

CONCEITOS: O IMPÉRIO DAS IMAGENS

ENAPOL face 3

Doris Diogo e Renata Estrella

A III preparatória do VII ENAPOL foi realizada na Seção Rio em 29 de junho de 2015, organizada pela Diretoria de Fernando Coutinho (EBP – RJ) e Maria do Rosário Collier do Rego Barros (ICP-RJ) nos convocando a revisitar alguns de nossos conceitos, um dos eixos para abordar O Império das imagens. A mesa coordenada por Glória Maron contou com as participações de Mariana Mollica e Stella Jimenez. Gloria situou os trabalhos na discussão do mundo hoje, a partir da psicose.

A apresentação de Mariana Mollica teve início com o lindo filme de Marcio de Andrade*, A mulher que falava coisas que retrata Stela do Patrocínio – poetisa que viveu 30 anos internada na Colônia Juliano Moreira onde morreu – a partir de suas falas e de uma colagem de imagens do hospício que até hoje resiste. Mariana nos trouxe discussão instigante a partir das imagens poéticas e do tempo inventados por Stela que subvertem os muros manicomiais onde o tempo não passa, os corpos são controlados e a vida mortificada: no dia seguinte querem continuar o dia que passou.

Para Mariana, as imagens unianas, como discutidas nas Preparatórias do ENAPOL, tendem a anular tempo e espaço de contemplação das coisas e de distinção de gozos, diferente da imagem artística que interrompe o tempo e nos faz parar. Stela traz outra lógica que não a da imediatez das imagens, preponderante na atualidade quando o controle se dilui e se infiltra por todas as partes configurando um império global e uma lógica de mortificação subjetiva. Mariana aposta que a produção linguageira de Stela, em que uma imagem poética se liga ao significante e ao real do gozo que retorna no corpo despedaçado, possa nos ensinar como subverter o controle do gozo dos corpos imperado por um “muro das imagens”.

Em sua apresentação, Stella Jimenez destacou que Lacan, ao revisitar o conceito deNome-do-pai (NP), revirou o paradigma que orienta a clínica deslocando-o da neurose para a psicose, modos de se virar com a linguagem; o que Miller ressalta, em O Outro sem Outro, ao situar o NP como sintoma, um modo, entre outros, de gozar. Stella Jimenez sublinhou que Stela consegue dizer muitas coisas com beleza através de imagens poéticas: Como podemos pensar a articulação estrutural desse sujeito? A fala da poetisa é uma articulação que se faz com o nó trevo verdadeiro, os registros R, S e I estão em contigüidade, sendo impossível distingui-los. Mas como um nó trevo verdadeiro tem um lugar subjetivo, ela consegue se nomear: Stela do Patrocínio, esse é meu nome; onde a singularidade incide na ironia do neologismo: uma mulher bem patrocinada. Ela dá uma aparência de estar fazendo metáforas, mas está falando do real.

Jimenez lembra que Miller estabelece diferença entre a posição do psicótico, do débil e do analisante. Podemos falar aqui de alguém que é tolo do Real? Quando ela diz Você me come com os olhos, não se trata de delírio mas de uma expressão do Real.

Glória Maron, como coordenadora, afirmou, concordando, que a poetisa não pode ser considerada débil, apesar de louca, o que aparece em sua amarração que inventa um tempo para o corpo falante; conduzindo-nos ao debate, com pergunta intrigante dirigida a Jimenez: se o trabalho psíquico – que colocou e coloca muitos a trabalhar – teria produzido algum ganho de tolice, considerando-a tola do real.

Lembrando Lacan, Jimenez destacou: tolo, é se deixar tocar pelo Real, sem tentar articulá-lo em um sentido ou em imagem: Stela do Patrocínio acredita piamente no que diz. Se ela é tola do Real? Não seria um ganho de tolice, ela acreditar num corpo porque ela diz que não sabe porque a mão se move ou porque o olho enxerga? Stela é o que é. Os não tolos erram, se equivocam. Apesar de toda a produção poética, ela não parece acreditar nas imagens ou no corpo, apontando para uma ‘tolice’ que fala.

Do debate animado, recolhemos: 1- A distinção entre “a imagem poética” – tratamento do real do corpo despedaçado pela imagem na poesia de Stela do Patrocínio e “o império das imagens”, como articulado pelo ENAPOL. 2- Que, na contemporaneidade, o “muro da imagem”, ao imaginarizar um acontecimento da realidade na pretensão de que seja um real comum a todos, pode escamotear o real que concerne a cada ser falante. 3- Como atravessar o muro das imagens no acesso a um traço do real? 4- Como cada ser falante responde ao “muro da imagem”? 5- No debate, um significante/peça avulsa se destacou: uso. Que uso o ser falante faz desse “muro”?

*filme de Márcio de Andrade: Documentário usa linguagem plástica e visual para contar história sobre saúde mental

Resenha da III preparatória no Rio de Janeiro do VII ENAPOL

enapol perfilpor Doris Diogo e Renata Estrella
A III preparatória do VII ENAPOL foi realizada na Seção Rio em 29 de junho de 2015, organizada pela Diretoria de Fernando Coutinho (EBP – RJ) e Maria do Rosário Collier do Rego Barros (ICP-RJ)  nos convocando a revisitar alguns de nossos conceitos, um dos eixos para abordar O Império das imagens. A mesa coordenada por Glória Maron  contou com as participações de Mariana Mollica e Stella Jimenez. Gloria situou os trabalhos na discussão do mundo hoje, a partir da psicose.
A apresentação de Mariana Mollica teve início com o lindo filme de Marcio de Andrade, A mulher que falava coisas que retrata Stela do Patrocínio – poetisa que viveu 30 anos internada na Colônia Juliano Moreira onde morreu – a partir de suas falas e de uma colagem de imagens do hospício que até hoje resiste. Mariana nos trouxe discussão instigante a partir das imagens poéticas e do tempo inventados por Stela que subvertem os muros manicomiais onde o tempo não passa, os corpos são controlados e a vida mortificada: no dia seguinte querem continuar o dia que passou.
Para Mariana, as imagens unianas, como discutidas nas Preparatórias do ENAPOL, tendem a anular tempo e espaço de contemplação das coisas e de distinção de gozos, diferente da imagem artística que interrompe o tempo e nos faz parar. Stela traz outra lógica que não a da imediatez das imagens, preponderante na atualidade quando o controle se dilui e se infiltra por todas as partes configurando um império global e uma lógica de mortificação subjetiva. Mariana aposta que a produção linguageira de Stela, em que uma imagem  poética se liga ao significante e ao real do gozo que retorna no corpo despedaçado, possa  nos ensinar como subverter o controle do gozo dos corpos imperado por um “muro das imagens”.
Em sua apresentação, Stella Jimenez destacou que Lacan, ao revisitar o conceito de Nome-do-pai (NP), revirou o paradigma que orienta a clínica deslocando-o da neurose para a psicose, modos de se virar com a linguagem; o  que Miller ressalta, em O Outro sem Outro, ao situar o NP como sintoma, um modo, entre outros, de gozar.    Stella Jimenez sublinhou que Stela consegue dizer muitas coisas com beleza através  de imagens poéticas: Como podemos pensar a articulação estrutural desse sujeito?  A fala da poetisa é uma articulação que se faz com  o nó trevo verdadeiro, os registros R, S e I estão em contigüidade, sendo impossível distingui-los. Mas como um nó trevo verdadeiro tem um lugar subjetivo,  ela consegue se nomear: Stela do Patrocínio, esse é meu nome; onde a singularidade incide na ironia  do neologismo: uma mulher bem patrocinada. Ela dá uma aparência de estar fazendo metáforas, mas está falando do real.
Jimenez lembra que Miller estabelece diferença entre a posição do psicótico, do débil e do analisante.  Podemos falar aqui de alguém que é tolo do Real? Quando ela diz  Você me come com os olhos,  não se  trata de delírio mas de uma expressão do Real.
Glória Maron, como coordenadora, afirmou, concordando, que a poetisa não pode ser considerada débil, apesar de louca, o que aparece em sua amarração que inventa um tempo para o corpo falante; conduzindo-nos ao debate, com pergunta intrigante dirigida a Jimenez: se o trabalho psíquico – que colocou e coloca muitos a trabalhar – teria produzido algum ganho de tolice, considerando-a tola do real.
Lembrando Lacan, Jimenez destacou: tolo, é se deixar tocar pelo Real, sem tentar articulá-lo em um sentido ou em imagem: Stela do Patrocínio acredita piamente no que diz. Se ela é tola do Real? Não seria um ganho de tolice, ela acreditar num corpo porque ela diz que não sabe porque  a mão se move ou porque o olho enxerga?  Stela é o que é. Os não tolos erram, se equivocam. Apesar de toda a produção poética, ela não parece acreditar nas imagens ou no corpo, apontando para uma ‘tolice’ que fala.
Do debate animado, recolhemos: 1- A distinção entre “a imagem poética” – tratamento do real do corpo despedaçado pela imagem na poesia de Stela do Patrocínio e “o império das imagens”, como articulado  pelo  ENAPOL. 2- Que, na contemporaneidade, o “muro da imagem”, ao imaginarizar um acontecimento da realidade na pretensão de que seja  um real comum a todos,  pode escamotear o real que concerne a cada ser falante. 3- Como atravessar o muro das imagens no acesso a um traço do real?  4- Como cada ser falante responde ao “muro da imagem”?  5- No debate,  um significante/peça avulsa se destacou: uso. Que uso o ser falante faz desse “muro”?
Texto disponível em: Boletim Enl@ços – Agosto/2015. EBP-RJ e ICP-RJ

CULTO À PERFORMANCE

Veridiana

Veridiana Paes de Barros

Vivemos em uma sociedade onde a performance é valorizada. Sociedade onde há um apelo constante e sedutor do ideal de se viver sem dor. Atravessada pelo discurso capitalista há uma crença imaginária imposta de que há remédio para tudo e de que podemos comprar esse remédio, característica fundamental da sociedade de consumo e do grande poder dado ao bem de consumo.

O que é possível pensar sobre este homem contemporâneo, que tende a acreditar que a tristeza ou outros estados de ânimo são doenças?

Birman em seu texto “O sujeito de colarinho branco. O dentro- de- si e o fora- de- si nas figurações atuais da subjetividade (1)” pensa nossa cultura e a entende como sendo a cultura do narcisismo e do espetáculo. Do narcisismo como autocentramento, o qual ele ressalta que aparece na forma da estetização da existência – exaltação gloriosa do próprio eu. O autor ainda destaca que nesta cultura da estetização do seu eu, o sujeito vale pelo que aparenta ser. Lembra ainda que a interpretação dada por Debord no final dos anos 1960 – a cultura do espetáculo – é caracterizada pela exigência infinita da performance. Nesta cultura tudo o que foge a esta performance é dito psicopatológico. Não por acaso nunca foi tão diagnosticada a depressão, a síndrome do pânico e a toxicomania, como também nos lembra e ressalta o autor, formas psicopatológicas da pós-modernidade que fracassam a glorificação do eu.

O sujeito, ancorado neste imaginário da cultura do espetáculo, se faz desaparecer da implicação daquilo que o aflige. O que o move parece ser a necessidade de resposta ao imperativo e a exigência da performance e do espetáculo.

Como fica a conexão deste sujeito com o saber inconsciente?

Diante desta cultura, nos deparamos em nossos consultórios, entre outras demandas, com pessoas querendo usar o espaço de análise para a recuperação do narcisismo. Como transformar isso em uma pergunta? Como fazer o sujeito advir? Como transformar em uma demanda de saber de si? Como tirá-lo desta alienação que o impede de saber sobre o seu sofrimento, sua dor, seu desejo, seu gozo? Impasses da clínica contemporânea e inquietações do praticante na atualidade!

O VII ENAPOL irá trabalhar o Império das Imagens, a cultura do espetáculo que regula nossa sociedade hoje, assim como o efeito imaginário no sujeito e na clínica será certamente abordado e muito trabalhado, o que irá contribuir para a construção de saber a respeito dos impasses atuais na clínica psicanalítica.

1 BIRMAN, Joel. “ O sujeito do colarinho branco. O dentro – de- si e o fora – de – si nas figurações atuais da subjetividade”. IN: Mal estar na atualidade. A psicanálise e as novas formas de subjetivação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

O QUE HÁ DE HUMANO NO KEN HUMANO?

foto eliana sozinhaEliana Machado Figueiredo

Ken é o namorado da Barbie, certo? Não na vida real.

Justin Jedlica, de 32 anos, morador de Nova York (EUA), se submeteu a 90 cirurgias plásticas e gastou cerca de 100 mil dólares nos últimos dez anos para ficar “parecido” com o boneco Ken, namorado da Barbie. Ele disse: “Eu adoro me metamorfosear, e quanto mais estranha é a cirurgia, melhor”. Quando foi proposto um encontro com a Barbie humana, Valeria Lukyanova, de 21 anos, ele disse: “Honestamente, ela é realmente esquisita, muito formal, e falta personalidade”.

Enquanto o americano parece estar bastante envolvido narcisicamente com sua obsessão de ser parecido, o brasileiro Celso Santebañes, 20 anos, queria ser o boneco Ken.

Num primeiro momento o Ken humano brasileiro parece não ter nada que o diferencie de outros e outras bonecas humanas, que buscam através da medicina estética um ideal de perfeição, a transformação e a fama. Mas no caso dele, será que era só um personagem que ele buscava?

Ele queria sair da realidade, do que é imperfeito e ser o perfeito boneco Ken. Desde menino sonhava em ser famoso: seus traços perfeitos, olhos azuis tais como do pai que nem conheceu direito chamavam a atenção de todos. Ainda criança, uma amiguinha de escola levou o boneco Ken para mostrar o quanto os dois eram parecidos. Parece ter surgido daí sua obsessão em ser. Começou a participar de concursos de beleza. Aos 15 anos adotou o nome artístico de Celso Santebañes, sobrenome da família paterna que mal conheceu, e veio para São Paulo. Fez cursos de manequim e teatro. Em pouco tempo passou por vários programas de televisão no Brasil e ficou conhecido mundialmente. Seu boneco seria lançado em breve, Celso Dolls, e ia participar de um reality show em Los Angeles (EUA). Uma carreira curta e midiática.

Ao destacar este caso dos vários casos de bonecos e bonecas humanas, quis isolar sua singularidade. O que há de humano no Ken humano? O gozo e sua forma particular de gozar.

Aprendemos com Lacan que o sujeito escolhe seus significantes para responder ao seu mal estar e a partir daí escolher seu modo de gozo. Se o significante é causa de gozo, não somente causa do significado, causa do sujeito, logo o gozo é uma resposta para o sujeito, diferentemente do desejo.

Acompanhamos com Miller(1), que “a causa do desejo para cada um é sempre contingente. É uma propriedade fundamental do ser falante, a causa de seu desejo sempre tem a ver com um encontro, o seu gozo não é genérico, não tem a ver com a espécie. A modalidade própria do gozo tem a ver, em cada caso, com uma contingência, com um encontro. O gozo não é programado na espécie humana. Temos aí uma ausência, um vazio. O que dá ao gozo, para cada um, uma figura singular é uma

experiência vivida, um encontro. Aí está o escândalo. Gostariam que o gozo fosse genérico, que fosse normatizado para a espécie. Pois bem, ele não é”.

Se pensamos no sujeito do gozo, no falasser, podemos dizer que seu corpo não antecede o significante e que ele o tem como algo, um objeto, que trata bem ou mal, que negligencia ou emboneca. O gozo é do corpo, embora sustentado pela linguagem, e Ken buscou no mercado das imagens o império de seu gozo. Nisso não difere dos inúmeros jovens e na diversidade de possibilidades que buscam no dia-a-dia.

1 MILLER, J.-A. Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan. Entre desejo e gozo. Rio de Janeiro: Zahar, 2011, pg. 31.

“El imperio de las imágenes”

 NoraTercera Noche Preparatoria: Rumbo al VII ENAPOL- 2 de julio 2015
Reseña: Nora Cappelletti
La tercera y última Noche Preparatoria: Rumbo al VII ENAPOL, fue una noche especial: contamos con la presencia del director del VII ENAPOL: Rômulo Ferreira da Silva, quien inscribió su intervención en relación a “La adolescencia bajo el imperio de las imágenes”.
Asimismo, Gloria Aksman y Patricia Moraga, coordinadoras -respectivamente- de los grupos de investigación: Sexualidad virtual: hombres y mujeres, y El psicoanálisis y “el mind, body problem”, presentaron una síntesis de sus trabajos, los cuales serán desarrollados en lasConversaciones del ENAPOL.
Más de 120 entusiastas participantes siguieron con atención las exposiciones y participaron del debate que siguió a las mismas.
La coordinación e interlocución estuvo a cargo de Fernando Vitale-director del VII ENAPOL, por la EOL- quién comenzó la presentación subrayando que “el ENAPOL ya esta acá nomás”. Sostuvo que en el Encuentro habrá “sorpresas” que por obvias razones no pudo adelantar. Transmitió que se recibieron alrededor de 250 trabajos para las mesas simultáneas, y que en breve se subirán a la web del ENAPOL los 45 textos de los grupos de investigación. Luego de presentar a los tres expositores de la Noche, le dio la palabra a Gloria Aksman.
Gloria nombró a los integrantes del grupo que coordina: Catalina Bordón, Silvina Bragagnolo, Mónica Bureau, Walter Capelli, Padro Casalins, Paula Husni, Delfín Leguizamón, Ines Szpunt y Hernán Vilar.
Sostuvo que se orientaron con una frase de Lacan:”Que al hombre le guste tanto mirar su imagen, pues, está bien, sólo queda decir: así es”.
Esto los convocó a reflexionar sobre qué implica el hecho que el parlêtre esté encerrado en el goce autista de las imágenes; época en la que los sujeto pasan tu tiempo frente  a las pantallas, cobrando cada vez más existencia la inexistencia de la relación sexual.
Siguiendo a J.-A. Miller sostuvo que la sexualidad virtual es un recurso más para intentar taponar la hiancia, imposible de colmar, del “no hay relación sexual”.
Sostiene Gloria que el antecedente es la pornografía, que en la actualidad se ha virilizado: intento de naturalizar ese goce reservado a la privacidad. Retoma a R. Barthes, en La cámara lúcida, para definir a la privacidad como esa zona del espacio y el tiempo en la que no soy una imagen. Y agrega que en la sociedad actual-caracterizada por el discurso de la transparencia y donde todo está expuesto-es difícil imaginar esto. No hay cabida para el secreto.
Citó Byung-Chul Han quien sostiene que el respeto ha sido vulnerado. Respeto en tanto “mirar hacia atrás”,  presupone una mirada distanciada.
Hoy la mirada es sin distancia, mirada del espectáculo. Proviene de spectare: “alargar la vista a la manera de un mirón”.  En la sociedad del espectáculo, la imagen reina por sobre la palabra.
El erotismo cede frente a la pornografía: la obscenidad-donde nada permanece oculto- hace desaparecer el cuerpo: cuerpo que no se recorta sobre un fondo de ausencia.
Afirma Gloria que la hipótesis de la declinación del NP como efecto del imperio de las imágenes, supone la sumisión de lo simbólico a lo real y lo imaginario, y lleva a la pregunta si esto modifica los lazos.
Retoma aportes de integrantes del grupo de investigación, que fueron incorporados a los Boletines: Rumbo al VII ENAPOL:
1-El de Pedro Casalins, quien destaca que es conveniente no quedar obnubilados por este nuevo síntoma social, ya que el mero uso de un recurso tecnológico no supone que incida necesariamente en la subjetividad. Si lo hace es por una variación en las funciones reguladoras de los goces, o por la inoperancia de los modos fantasmáticos usuales. Si hay eficacia de las plataformas virtuales que den cuenta de nuevos síntomas, en este campo, podría ser porque la potencia de la imagen tiende a compensar las consecuencias del debilitamiento de los nombres del padre, en ambos sexos. Cuestiones que deberán ser verificadas en la clínica. –
2-Asimismo, Silvina Bragagnolo, exploró la sexualidad virtual en mujeres, a través de los capítulos de la novela “50 sombras de Grey”, que iban apareciendo por Internet. Miles de mujeres visitaban la página diariamente e intervenían activamente, lo cuál promovía modificaciones en el texto que la autora iba escribiendo. Destaca efectos en las conductas de las mujeres, luego de la salida del libro: consultas y consumos masivos en los sex shop. No obstante, el éxito de la novela parece sostenerse a condición que el amor sea insoslayable: con una solicitación sexual importante, si, pero donde el amor juega su papel.
Sin embargo, destaca Gloria apoyándose en la clínica, la sexualidad virtual-con la pornografía como paradigma- exhibe la pulsión al desnudo y sin dirección al otro, haciéndose presente en la fugacidad de los encuentros, haciendo existir la ausencia de la relación. Ejemplifica con las mujeres a la pesca de relaciones seriales en tinder. Se pregunta si esto responde a la feminización del mundo, en tanto régimen del más allá, que señala cierta decadencia del goce fálico, o si por el contrario es por la insuflación del goce fálico. Sostiene que mantienen la pregunta, sin responder, y que destacan la banalidad de la inmediatez de los encuentros.
3-Catalina Bordón se interroga -respecto de la época donde la tecnociencia crea objetos para obturar el vacío, y lo virtual intenta borrar lo sólido del cuerpo-: ¿qué lugar para el encuentro con el otro cuerpo? La autosatisfacción, el goce del cuerpo propio, dejan a algunos sujetos modernos subsumidos en soledades colectivas. En el intento de reparar la falla inicial, ésta  se abre no ya al desencuentro, que supone lidiar con el otro, sino a solo sombras de sí mismo.
4-Hernán Vilar se detuvo en los  modos de uso del espacio virtual, respecto de una  tendencia inaugurada en los ´70, y que la tecnología actual lleva a ciertos extremos:
los encuentros sexuales en entornos simulados, mediante el uso de tecnogadgets que vienen a prometer una sexualidad sin “tropiezos”, sexo seguro y sin límites. La tecnociencia aliada al mercado de consumo, no deja de producir estas soluciones “pret a porter”, que convendría leer recordando al Lacan de El Reverso del Psicoanálisis: “Si se puede simular el plus de goce, eso mantendría a mucha gente entretenida”.
Para concluir, Gloria ubica la pregunta que surge en el trabajo: “qué sujeto es el sujeto actual?” Y sostiene que encontraron la respuesta en una película: “Don Juan”, que no es  don Juan, nos dice Gloria, sino que es de Juan, el don. Siguiendo a Byung-Chul Han sostiene que el sujeto actual es el sujeto narcisista del rendimiento, abocado al éxito.
Patricia Moraga, comenzó su exposición nombrando a las integrantes del grupo: Leticia Acevedo, Dolores Amden,  Soledad Arrieta, Andrea Brustein, Alejandra Glaze, Soledad Gonzalez Prado, Graciela Horowitz, Graciela Lucci, Marita Salgado y Analía Trachter.
Respecto del tema que las convocó al trabajo, sostiene que el mismo parte del dualismo cartesiano, pero el tema se remonta más allá de Descartes, a Platón, con el problema del alma y el cuerpo. Con Descartes cobra importancia por la incidencia en el campo de las ciencias.
Respecto de las dos sustancias: la extensa y la pensante, destaca Patricia que Descartes sostenía que la esencia del hombre es la sustancia pensante.
Importancia para las ciencias: en tanto ambas diferencian dos naturalezas y dos métodos diferentes.
El “mind, body” se inscribe en la filosofía analítica anglosajona. Se destaca el dualismo: mente/cuerpo.
De las distintas ramas posibles, eligieron para la investigación las neurociencias por su incidencia en los diagnósticos y trastornos psiquiátricos.
Retoma Patricia  preguntas que se hacen los neurocientíficos: -que es el lenguaje; -que son las representaciones?; -cómo es que el cerebro puede representar algo fuera de si mismo?
Sostiene que se trata de un monismo naturalista, en tanto reducen todos los trastornos a lo físico.
Subraya que el siglo XXI es el siglo del cerebro. Coincide con un cambio de paradigma: las neurociencias se fundan en la transparencia y en la evidencia, lo cual lleva a sostener que “la casa del ser” ya no es el lenguaje.
La casa del ser de la que hablaba Heidegger, sostiene Patricia no sin ironía, ha sufrido cambios y refacciones.
En el siglo del primado de la genética y de los códigos digitales se ensancha el imperio de las imágenes y se angosta el campo del lenguaje.
Y sostiene, parafraseando a Descartes: “somos vistos, luego existimos”.
La investigación que han desarrollado, la divide en tres partes:
-1ra. crisis diagnósticas; -2da: “Y el cerebro creó al hombre”, siguiendo la referencia a A. Damasio, neurocientífico; -3ra: ¿cómo se sitúa el psicoanálisis en éste debate?
Patricia habló de la sustitución del manual DSM5 por otro, proveniente del Instituto Superior de Salud mental de EEUU, subrayando la decisión del gobierno americano de financiar únicamente investigaciónes que contengan datos objetivos, los cuales provendrían del cruce de marcadores de la genética y de las neurociencias.
La consistencia diagnóstica: para que se inscriba en el marco científico debe demostrar la correlación entre conducta y cerebro: cualquier cambio en la conducta debe tener un correlato neuronal.
Asimismo, no es suficiente constatar que los tratamientos tienen efectos, hay que demostrar cómo los tienen. Damasio y otros crearon tests para evaluar sujetos con déficit en el lóbulo pre frontal, y comprobaron-para su sorpresa- que los sujetos no presentaban problemas en la ejecución de los test, debiendo concluir que no hay relación necesaria entre las lesiones y el desarrollo en los test.
En éste punto destacó Patricia el interés-en  la investigación que llevaron a cabo- respecto de las “inconsistencias”.
Las investigaciones del cerebro refutan el cogito cartesiano: para las neurociencias primero está el ser, luego el pensar.
Somos un cuerpo, somos un organismo. Lo real para las neurociencias, destaca P. Moraga, es el cerebro.
Y sostuvo que lograron ubicar: “el error Damasio”, parafraseando a Damasio quien habló de “el error Descartes”.
Damasio localiza las decisiones y emociones en una base natural, el lóbulo pre frontal e incurre en una paradoja: quiere capturar estas decisiones y emociones- incluso la localización de los “principios éticos”- a través de imágenes, con lo cual la verdad pasa de lo material a la imagen, y lo material se evapora.
Para las neurociencias, destaca Patricia, el otro, el medio ambiente, es un problema. Como se introduce el Otro? pregunta, y responde: por las “neuronas espejo”. Ante la visión y el encuentro con el Otro se producen modificaciones en las neuronas motoras y así se adquieren nuevas capacidades.
El Yo no se alcanza por identificaciones especulares, sino que se obtura por la identidad de la idea del Yo.
Se forcluye, entonces, el sujeto del inconciente y lo real del goce.
Y destaca Patricia un punto interesante: en tanto las categorías no responden, los neurocientíficos llegan a sostener que hay que trabajar caso por caso…
Retoma la crítica de Lacan al cogito cartesiano- en tanto separa ser y pensamiento. Su problema era cómo articular significante y goce; inconciente y ello.
Ubica en Lacan, tres modos de alienación:
1-S.11: alineación significante; falta en ser,  sujeto muerto, se restituye lo vivo a través del objeto a. Operaciones de alienación y separación. Rompe ser y pensamiento. Lo distingue.
2-Alienación correspondiente a la lógica del fantasma y del acto. La alienación/ elección natural del sujeto es dirigirse al “yo soy”, rechazo del fantasma y del goce. Y destacó que la ciencia va en el mismo sentido que la tendencia natural del sujeto.
3-En “La tercera” sostiene Lacan que no se trata de: pienso, luego soy; sino: pienso, luego gosoy. El psicoanálisis no puede ser dualista: entre simbólico e imaginario, lo real que anuda: la sustancia gozante, el cuerpo real.
Luego de las exposiciones de Gloria Aksman y Patricia Moraga, se abrió un espacio a preguntas e intervenciones donde se destacaron los campos y perspectivas que abrieron ambos trabajos.
A continuación Rômulo Ferreira da Silva comenzó su exposición situando a la adolescencia como un pasaje.
Ubica los cambios en el cuerpo, pero también los mecanismos sociales y culturales que afectan ese pasaje.
El surgimiento de los caracteres sexuales secundarios envuelven a los niños en la trama de los misterios de la sexualidad: por momentos,  dando lugar a una especie de orgullo por verse participando de la vida adulta, en otros, avergonzado porque denuncian el acceso al goce sexual que hasta entonces parecía escondido.
Esas alteraciones son experimentadas de manera singular.
Destaca Rômulo que en nuestros análisis podemos constatar que lo que ocurrió en el momento de entrada en la adolescencia permanece pautando nuestras conductas. Un nuevo júbilo, vivido como placer u horror, que establece una nueva versión imaginaria del cuerpo.
Respecto del estadio del espejo, ubica que para Lacan se trata de un proceso que se perpetúa en el funcionamiento del sujeto, y no en tanto etapa que se atraviesa y se abandona.
En los esquemas de Lacan de los años 50, queda claro que el sujeto no se forma definitivamente, sino que se redefine a cada momento.
Afirma Rômulo que, en tanto  el trauma fundamental para el ser humano es el atravesamiento del lenguaje -lo que lo hace sexuado, separado de su condición propiamente animal-, la sexualidad abierta en la adolescencia,  actualizará la pregunta fundamental: ¿Qué soy yo en eso?
El debilitamiento del orden simbólico y la proliferación de las imágenes en lo contemporáneo, afecta-intensificándolo- el cambio vivido en la adolescencia.
El surgimiento de las tecnologías y de las  redes de comunicación, permite nuevas y diversificadas identificaciones, las cuales propician variadas formas de inscripción en el lazo social.
Lo que se constata-destaca Rômulo-, es el prolongamiento de la adolescencia en el ámbito social, consecuencia del debilitamiento de lo simbólico que permite el cuestionamiento infinito de lo propuesto como norma adulta.
Sin el orden simbólico fuertemente instalado quedamos frente a un nuevo imaginario; la imagen no se estabiliza, el imperio de las imágenes promueve la infinitización de la adolescencia al ser efímeros los nuevos paradigmas que surgen.
En la  clínica constatamos las nuevas formas de manifestación del malestar, que dejan de lado lo simbólico y priorizan las imágenes.
Se pregunta Rômulo si no corremos el riesgo de caer nosotros también en el desvarío del imperio de las imágenes, en la conducción de los tratamientos.
Retoma a Lacan y su ultimísima enseñanza, para subrayar que frente a la imposibilidad de simbolizar lo real, solo nos resta imaginarlo.
Pero-sostiene- esa es una proposición para el final de un análisis, y que para llegar a eso es necesario pasar por el desfiladero de los significantes.
Rômulo ubica una orientación posible para los analistas: en este tiempo del imperio de las imágenes, nos encontramos con sujetos provenientes de la época en que el Otro no existe. Bajo esa perspectiva, una posición nostálgica del analista en relación al Nombre-del-Padre intentando restaurar el Otro, puede no ser lo más indicado para la conducción del tratamiento y destaca que tal vez estemos más cerca, en estos casos, de la posición asumida frente a la psicosis.
Podemos situarnos como un otro, el semejante, que pueda soportar ser el punto de direccionamiento de lo que resta de lo simbólico en los intentos de defenderse ante lo real.
Tal vez sea una clínica en la cual el psicoanalista deba explicitar que él comparte la idea de que el Otro no existe. O sea, es necesario transmitir en la experiencia del psicoanálisis que “eso falla”.
Retoma de una intervención de Fernando Vitale -en la actividad preparatoria del VII ENAPOL, desarrollada en San Pablo, en mayo de éste año- una cuestión: frente a lo que Lacan propone para lo que podemos encontrar en el final del análisis, o sea, ante el fracaso de lo simbólico frente a lo real, sólo nos resta imaginarlo, o “imajarlo”, Y se pregunta:¿podemos pensar que lo que ha aparecido como fruto de los análisis puede también ser observado en lo cotidiano de la adolescencia? ¿No estaríamos delante de sujetos que atravesados por lo simbólico débil, encontraron en lo imaginario mayor posibilidad de defenderse de lo real “imajandolo”?
Si buscan un analista, después de ampararse en imágenes que prometen soportar su sufrimiento porque el orden simbólico falla, no habría motivo para mantenernos como guardianes de un orden simbólico.
Para que podamos abordar a los jóvenes que nos llegan es necesario localizar si hubo una entrada en la adolescencia. Esa entrada coincide con la salida de la infancia cuando el sujeto puede tomar la palabra sin estar más sometido a la autorización de los padres para eso.
La salida de la adolescencia es más difícil de determinar porque presupone la responsabilidad e independencia.
Cabe al psicoanalista en el siglo XXI dar lugar a la posición del sujeto para que él advenga como sujeto responsable. En cuanto al paso siguiente: prescindir del analista para seguir en la vía de su deseo, será una decisión del sujeto, más  “no sin” la incidencia del deseo del analista.
Al observar los grupos de adolescentes y de los acontecimientos que los atraviesan, podemos verificar como cada uno se defiende de lo real que se presenta en esta etapa. Relató dos episodios, testimonio de su experiencia en tanto padre de adolescente, donde mostró- no sin humor- estas defensas en acto.
Lo que vemos es una repetición de la formación de grupos que encuentran formas de expresión que van contra el status quo en relación a lo que propone la generación anterior. Y se pregunta Rômulo: ¿Qué cambió en la adolescencia en el final del siglo pasado?
Para finalizar Rômulo abordó un punto que se inscribe en los debates actuales del psicoanálisis lacaniano: Imaginar lo Real.  En tanto no tenemos al alcance lo que sería  tocar lo real por lo real, nos podemos aventurar en el camino de imaginar lo real, aunque sea algo muy difícil como Lacan nos adelantó.
“Imaginar” lo real todavía es ponerlo en una escena posible. Destacó Romulo la diferencia, en francés,  entre el verbo imaginer e imager. En muchos pasajes de la obra de Lacan el verbo utilizado fue el imager y no el imaginer, inclusive en el seminario Momento de Concluir.
Utilizó un neologismo para intentar alcanzar lo que le parece más próximo a lo que se trata frente al nuevo imaginario en Lacan: Tejer una imagen frente a un trozo de real que se presenta,  está más cerca de “imajar” lo real de que imaginarlo.
Se trata de darle una imagen a lo real sin ningún compromiso con el sentido, una imagen desvinculada de lo simbólico.
El arte contemporáneo nos muestra como las imágenes pueden abordar lo real sin que lo simbólico esté incluido en la creación de una obra.
Concluyó su exposición sosteniendo que los AE de final del siglo XX y comienzo del siglo XXI demuestran un cambio en la manera de presentar sus testimonios. La incidencia de las imágenes es más evidente, tanto en lo que concierne a la fijación del goce, cuanto a los cambios operados por las intervenciones del analista. Imágenes sutiles, sonoras o visuales, que interfieren en el programa de goce de los analizantes.
Posteriormente siguió un animado debate, que anticipa el clima de lo que será nuestro próximo ENAPOL.

El “IMPERIO DE LAS IMÁGENES” en la EOL URBANA

Reseña: Nora CappellettiNora

El 4 de julio se llevó a cabo la EOL URBANA en el Centro Cultural Borges.

En sintonía con el VII ENAPOL, el eje convocantes fue: “Imágenes reveladas”.

La mesa de apertura llevó el título de “Vestir la imagen”, y contó con la presencia de Rômulo Ferreira da Silva, director ejecutivo del VII ENAPOL, quién desarrolló su original exposición tomando como referencia a Gaëtin Gatian de Clérambault y Gennie Lemoine. Compartió la mesa con Jéssica Trosman, diseñadora de indumentaria, y con Alejandra Koreck, diseñadora de joyas contemporáneas. La coordinación y animación estuvo a cargo de Gabriela Grinbaum.

Rómulo situó el interés particular de Clérambault respecto de los drapeados, lo que comenzó a desarrollarse en él a partir de interesarse en cuadros psiquiátricos de mujeres que presentaban un gran apego a los tejidos-en especial las sedas-, que las llevaba a cometer delitos, luego de tocarlas.

Al establecer el lugar referencial que tiene Clérambault en relación a la erotomanía y al automatismo mental, y su interés creciente por los drapeados, sostuvo Rômulo que podía parecer que entre ambos intereses no hubiese ninguna articulación, sin embargo, destacó siguiendo a D. Arnoux, ambos siguen esencialmente, el mismo método. “En todos los casos en que trata de trazar el repertorio de una ropa drapeada, Clérambault coloca en evidencia un “esquema de construcción”, como un “punto de apoyo principal”, inicial y un “movimiento generador”. Las características “inicial” y “generador” determinan una clasificación de las ropas drapeadas. El postulado inicial de la erotomanía es un punto de apoyo generador del síndrome. El fenómeno de automatismo también presenta esa característica inicial (y como tal, anideico), generador del delirio, que lo hace más complejo, juntándose a él.”

Respecto de Lemoine retoma un pasaje de su libro “La robe”, en el que ella dice que la piel es engañosa y que nunca la somos, apenas la tenemos. De la misma manera, nunca somos lo que vestimos. Podemos tener lo que vestimos.

Otra perspectiva que tomó Rômulo es acerca de una exposición sobre vestuario, a la que asistió, por casualidad, en Paris, hace ya algunos años. Había una pregunta que circulaba en torno a la causa por el cual se encuentra, cada vez con más frecuencia, diseñadores de moda del sexo masculino. La explicación dada, situaba la pasión de algunos hombres por la creación de vestimentas femeninas. Hombres que por el amor que sienten por el cuerpo de la mujer, encarnado en la madre, buscan innovar formas de recubrir el cuerpo de la mujer, dejándolo cada vez más atractivo, enigmático y sofisticado… Sin embargo, inaccesible.

Sostuvo Rômulo que no se trata específicamente de un fetiche, sino de recubrir, para todos los seres sometidos a la castración, el cuerpo que tenemos pero no somos. Una manera creativa y encantadora de hacer, de lo que tenemos, algo más cercano a lo que queremos ser. Es así que las mujeres son mucho más allegadas a esas creaciones. Ellas experimentan con mucha más facilidad el fenómeno de que no son sus cuerpos, por eso, las pieles que los envuelven son tan deseadas.

¿Podríamos pensar algo parecido para las diseñadoras de moda?, sostuvo, al concluir.

El intercambio con Jessica Trosman, quién sostuvo que no le interesa que se entiendan sus prendas, pero si se las da vuelta se verá cómo están hechas, y con Alejandra koreck, quién propuso participar del armado colectivo de una joya contemporánea, sumado al estilo entusiasta y divertido de Gabriela Grinbaum, fue seguido con gran entusiasmo por el público que colmó la sala. Una mesa para recordar.

Olhar, Ouvir e Falar – o que faz uma análise com o corpo

Fátima Fonseca Ramos

Fátima Fonseca          Durante o mês de maio, a convite da Delegação Paraná/ EBP, Marcus André Vieira nos brindou com o curso: Olhar, Ouvir e Falar – o que faz uma análise com o corpo, como atividade preparatória para os próximos dois eventos do Campo Freudiano: o ENAPOL e o X Congresso. Faz referência ao estádio do espelho, ao afirmar que, segundo Lacan, somos seres desregulados. Os efeitos imaginários não são tão fixos, tornando-nos meio perturbados. Nem tanto somos aqueles seres da fala sem imagem e também não somos aqueles de imagem fixa, que mesmo sem a fala a imagem já faz efeito. É uma articulação complexa e é nesse sentido que os dois eventos se perguntam. Qual é o lugar das imagens hoje? E o corpo como imagem principal, como é a imagem primordial de nós mesmo? Qual é o lugar e qual é a função do corpo? De certa maneira estas questões são os links entre os eventos que teremos.

A proposta conceitual do Miller é que o corpo falante é o inconsciente no século XXI e, não mais, uma outra cena. O inconsciente é, e continuará sendo, um outro discurso. Existe o discurso da consciência e existe uma espécie de discurso alternativo, que se apresenta como figuras parcelares, fragmentadas, como são nossas formações do inconsciente, mas que aos poucos, se constitui como um discurso alternativo. Nunca é tão organizado como o discurso da consciência, mas não deixa de se encadear. E nisto temos a impressão de uma outra cena acompanha a cena da consciência.

O primeiro movimento do corpo falante é de se dizer, esta outra cena está difícil de se achar. Este outro discurso, fica cada vez mais difícil de se constituir, encontramos, acontece, mas não é natural. A maior parte das vezes lidamos com experiências vagas e confusas, que são de fala, mas que não são exatamente de discurso, por isto corpo falante. O corpo falante é pra tentar marcar que tem alguma coisa que fala, que é falado, mas ele também é falante e ai nós estamos no nosso ponto de investigação. O que é o corpo falante para além do fato que ele fala, que é falado e tomado pelo discurso?

Marcus André resume com propriedade o que nos interessa sobre o corpo falante, são fragmentos de linguagem e de espaços, que não se articulam, cruzamento entre significante e gozo que gravitam. E isto a gente costuma chamar de lalingua. O corpo falante é o corpo de lalingua, o corpo do discurso é o corpo da língua, o corpo da linguagem.

O inconsciente como outra cena é o inconsciente transferencial e o inconsciente de lalingua é o inconsciente Real, de acordo com os trabalhos que Miller vem desenvolvendo. Neste questionamento entre a oposição da outra cena e o falasser, surgem inclusões, há coisas no registro de lalingua que não são apreensíveis no registro da língua e elas podem se opor.

A proposta de trabalho foi passar do inconsciente como um discurso encadeado, outra cena, ao inconsciente como fragmentos linguageiros espaços, isto é, lalingua.

A clínica da atualidade está cada vez mais difícil. Antes as coisas se encadeavam quase que naturalmente, e apareciam na sessão favorecidas no espaço analítico pela transferência, que criava uma articulação entre o eu e o sujeito, agrupando-se como uma história, ou mesmo um discurso.

Aquilo que era a fala de um sujeito dentro de um discurso, encontramos hoje, como a fala de um sintoma dentro de um campo linguageiro, que é apreensível mais pelo falasser do que pelo sujeito.

Marcus ilustrou estes conceitos articulando-os com dois recentes relatos de passes do Campo Freudiano.